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Turistas e Surfistas Desafiam a Pororoca
São Domingos do Capim / Pará
Texto: Sergio Borges
Fotos: Lilia Tandaya

Pororoca©LiliaTandaya

 

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Pororoca

São Domingos do Capim



O período das grandes pororocas movimenta a pequena cidade de São Domingos do Capim no estado do Pará, localizada a mais de 200 km do Atlântico por via fluvial. Durante os meses de março e abril, dois dias após as luas nova e cheia, a pororoca chega a cidade atraindo turistas e pesquisadores de várias regiões do país. Uma legião de surfistas também adotou a cidade, distante 136 km da capital Belém, para arriscadas manobras nos rios Guamá e Capim.

A pororoca, palavra de origem indígena que expressa o barulho provocado pelo encontro das águas,
ocorre em vários pontos da bacia amazônica. Sua força destruidora costuma aterrorizar ribeirinhos e proprietários de embarcações que se recusam a enfrentar ondas de até 4 metros de altura.

Em alguns trechos a pororoca se desloca
a mais de 40 nós por hora carregando consigo um volume de água capaz de alterar o leito dos rios, formar novas ilhas e arrancar do solo centenárias castanheiras com mais de 20 metros de altura.

Esse raro espetáculo da natureza se transformou na maior atração turística da pacata São Domingos do Capim. O poucos hoteis da cidade ficam lotados e vários moradores já começaram a oferecer quartos para acomodar os visitantes.

Queda de Braço -----------

No período da primavera o rio Amazonas e seus afluentes despejam no Oceano Atlântico um volume de água
superior a 110 mil m3 por segundo. A água doce do Amazonas penetra no mar por vários quilômetros.
Em seguida, o mar empurra o rio de volta na direção de seu curso e este se expande pela terra ao redor,
inundando toda a região, inclusive praias e ilhas mais rasas.

Nessa queda de braço entre o mar e o rio, combinado com os períodos de lua cheia e nova,
é que acontece a pororoca. Na maior vazante
a água doce escoa em grande velocidade
em direção ao mar, acumulando-se como numa gigantesca represa dentro do oceano. Quando o mar finalmente consegue reverter o fluxo das águas forma-se a pororoca.

Um grande volume de água doce é empurrado continente a dentro. Nos canais mais profundos a pororoca passa como uma ondulação, elevando imediatamente o nível dos rios. Mas é nas águas rasas e praias que o fenômeno se transforma em espetáculo. Um gigantesco vagalhão vai abrindo espaço para toda a água que estava represada.

Até pouco tempo atrás este fenômeno da natureza era encarado pela população como um incômodo a mais na dura rotina de vida dos moradores da região. A pororoca dificulta o fluxo de embarcações, muda o leito dos rios, destroi as benfentorias dos ribeirinhos, o cais na frente da cidade e até o cemitério local. Mas com o crescente interesse de turistas e pesquisadores, o que era um incômodo passou a ser a melhor alternativa de desenvolvimento para a região. Os moradores mais antigos se transformaram em guias da pororoca. O comércio local fica movimentado e os piloteiros de bajarás – popularmente conhecidos como po-po-pós - não param de trabalhar.

Com local, dia e hora marcada para chegar, acontece duas vezes por dia, durante três dias e depois some, a pororoca parece ser mesmo uma bela opção para o turismo. O escritor capimense Rogério Pereira concorda, mas prefere olhar o fenômeno pelo seu lado místico e misterioso. “Para os caboclos da região a pororoca nada mais é do que um banzeiro provocado por três pretinhos que disputam a preferência de uma virgem. Nas fases da lua cheia e nova Canadim, Bacu e Aupim se transformam em botos que saem pelos rios Capim e Guamá a procura da tal virgem”, contou Rogério.

Maria de Jesus da Silva Neves, funcionária pública, jura que já viu os três pretinhos em cima da pororoca. Nascida em São Domingos, mas morando atualmente em Belém, ela só volta a sua terra natal nos períodos de pororoca. "Os pretinhos nunca chegam perto da gente. Só dá para ver de longe. Acho que eles não querem ser incomodados", acredita dona Maria.

Box Serviço
Como chegar em São Domingos do Capim: Saindo de Belém, seguir pela PA 127 até a balsa que atravessa o Rio Capim.
Estrada: Asfaltada com alguns trechos em recuperação.
Clima: Equatorial super úmido
Bancos: Apenas uma agência do Banco do Brasil
Principais atividades produtivas: Bananas, farinha de mandioca e açaí

 

 

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